AMOR, VIGILÂNCIA E VIOLÊNCIA EM RAFIKI (2018): UMA LEITURA FEMINISTA LÉSBICA
DOI:
https://doi.org/10.56238/sevened2026.019-014Palavras-chave:
Análise Fílmica, Existência Lésbica, Heteronormatividade, Amor, ViolênciaResumo
Este artigo examina como Rafiki (2018) articula amor, vigilância e violência em sua representação da experiência lésbica. Com base em uma leitura feminista lésbica do filme de Wanuri Kahiu, inspirado no conto “Jambula Tree”, de Monica Arac de Nyeko, o estudo sustenta que o filme constrói o vínculo entre Kena e Ziki como uma força de reconhecimento mútuo, ao mesmo tempo em que expõe os mecanismos familiares, sociais e institucionais mobilizados para disciplinar o desejo dissidente. Metodologicamente, a discussão concentra-se em duas sequências, lidas à luz dos conceitos de heterossexualidade compulsória, heteronormatividade, interseccionalidade e lesbofobia, em diálogo com elementos formais da linguagem cinematográfica, como enquadramento, iluminação, cor e ponto de vista. A análise mostra que Rafiki justapõe cenas de reciprocidade, calor cromático e abertura afetiva a cenas de exposição pública, humilhação e coerção, revelando, assim, que a violência contra mulheres lésbicas opera tanto em registros físicos quanto simbólicos. O artigo conclui que o filme realiza uma intervenção estética e politicamente significativa ao afirmar a legitimidade do desejo entre mulheres e ao tornar visíveis os custos sociais impostos à sua existência.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.