USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS OFTÁLMICOS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: UMA ABORDAGEM PARA O MÉDICO GENERALISTA SOBRE FARMACOCINÉTICA, IATROGENIA E SEGURANÇA PRESCRITIVA
DOI:
https://doi.org/10.56238/sevened2026.020-027Palavras-chave:
Automedicação, Preparações Oftálmicas, Uso Racional de Medicamentos, Farmacocinética, Atenção Primária à Saúde, Glaucoma, Doença IatrogênicaResumo
Introdução: A automedicação no Brasil é um problema endêmico de saúde pública, cenário no qual os medicamentos oftálmicos tópicos (colírios) ocupam uma posição crítica. Frequentemente subestimados como meras soluções de higiene visual e amplamente comercializados isentos de prescrição, os colírios são fármacos de alta potência. Sua via de administração permite rápida evasão do metabolismo de primeira passagem hepática através da drenagem nasolacrimal, com biodisponibilidade sistêmica capaz de induzir efeitos cardiovasculares e respiratórios clinicamente relevantes em pacientes susceptíveis.
Objetivo: Este capítulo visa desconstruir a falácia da inocuidade dos colírios e instrumentalizar o médico generalista, principal gatekeeper do sistema de saúde, para a prevenção, identificação e manejo de iatrogenias oculares e sistêmicas decorrentes do uso irracional dessas formulações, bem como para reconhecer os pacientes em uso de tratamentos oftalmológicos avançados (injeções intravítreas, implantes de liberação prolongada, terapias para olho seco prescritas) que possam apresentar-se na atenção primária com complicações.
Desenvolvimento: A obra detalha a farmacocinética da superfície ocular e destrincha as principais classes terapêuticas. Discute o potencial deletério do uso indiscriminado de corticosteroides (indutores de glaucoma cortisônico e catarata), vasoconstritores tópicos e antibióticos empíricos. Em nível sistêmico, explora a toxicidade inadvertida de betabloqueadores oftálmicos. Aborda em profundidade a toxicidade do cloreto de benzalcônio (BAK) e a transição para formulações sem conservantes, e dedica seção própria ao paciente que faz tratamentos oftalmológicos de alta complexidade e como o generalista deve abordá-lo.
Considerações finais: A mitigação da morbidade associada aos medicamentos oftálmicos exige que o generalista adote postura ativa: inclusão rigorosa de formulações oftálmicas na reconciliação medicamentosa, letramento em saúde do paciente (técnica de oclusão do ponto lacrimal), reconhecimento de sinais de alarme para referenciamento oftalmológico imediato, e notificação farmacovigilante de reações adversas sistêmicas detectadas.
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