FOTOTERAPIA DA ICTERÍCIA
DOI:
https://doi.org/10.56238/sevened2026.016-012Palavras-chave:
Bilirrubina, Fototerapia, Icterícia, Luz AzulResumo
A icterícia neonatal, decorrente da hiperbilirrubinemia, é uma das condições clínicas mais frequentes no período pós-natal, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. Este texto aborda a fisiopatologia e o tratamento da icterícia por meio da fototerapia com luz azul, padrão-ouro para prevenir a neurotoxicidade induzida pelo acúmulo de bilirrubina indireta. A patologia está fundamentada no desequilíbrio entre a produção exacerbada de bilirrubina (devido à maior massa eritrocitária neonatal) e a capacidade limitada de conjugação hepática pela enzima UGT1A1, que apresenta apenas 1% da atividade adulta nos primeiros dias de vida. O mecanismo terapêutico da luz azul (com máximo de eficácia entre 460 e 490 nm) está baseada em processos fotoquímicos que ocorrem na epiderme, transformando a bilirrubina lipossolúvel em isômeros hidrossolúveis. Dentre as reações, a isomerização estrutural é a mais relevante, resultando na formação de lumirrubina, uma molécula estável que permite a excreção urinária e biliar sem necessidade de conjugação hepática. A fototerapia com luz azul é crucial para evitar a evolução da encefalopatia bilirrubínica aguda para o kernicterus, condição caracterizada por lesões neurológicas permanentes. Conclui-se que a compreensão dos mecanismos biofísicos da fototerapia e o monitoramento epidemiológico rigoroso são fundamentais para a segurança neurológica neonatal e a redução da morbimortalidade associada à hiperbilirrubinemia.
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