CORPO, ESPÍRITO E MORAL: “EDUCAÇÃO INTEGRAL” E PROJETO CIVILIZADOR NA INSTRUÇÃO PÚBLICA IMPERIAL

Autores

  • Cleidiane da Silva Morais

Palavras-chave:

História da Educação, Método Intuitivo, Instrução Moral e Religiosa, Educação Integral

Resumo

Este trabalho analisa os debates sobre educação pública no Brasil da segunda metade do século XIX, especialmente na Província do Ceará, destacando a relação entre moral, religião e métodos pedagógicos modernos. O ponto de partida é o artigo A educação moral das crianças na escola (1887), de Francisca Clotilde Barbosa de Lima, no qual a autora defende que a formação moral e religiosa das crianças poderia ocorrer por meio da observação da natureza e do desenvolvimento dos sentidos, aproximando-se do chamado método intuitivo. Inspirada em ideias presentes no parecer de Rui Barbosa sobre a reforma da instrução pública, Clotilde argumentava que a educação deveria integrar corpo, espírito e moral, embora atribuísse superioridade à formação moral e religiosa na construção do caráter infantil. A investigação também discute as reformas educacionais do período, sobretudo o Decreto de Leôncio de Carvalho (1879) e o Parecer de Rui Barbosa (1882-1883), que propunham a modernização do ensino primário por meio da ampliação do currículo e da adoção do método intuitivo, baseado na observação, experimentação e participação ativa do aluno. Influenciado por pensadores como Pestalozzi, Froebel e Spencer, esse modelo defendia o ensino das ciências naturais, da educação física, da moral e da instrução cívica como instrumentos de formação do “homem moderno”, preparado para o trabalho e para a vida em sociedade. Nesse cenário, enquanto setores conservadores, como o inspetor Amaro Cavalcanti, defendiam que a educação sem religião estaria incompleta, Rui Barbosa sustentava a ideia de uma escola leiga, embora considerasse indispensável a formação moral dos alunos. Para ele, a moral deveria ser ensinada menos por catecismos e memorização e mais pelo exemplo dos professores, pela disciplina escolar e pelo desenvolvimento de valores como trabalho, civismo, honestidade e obediência às leis. Observa-se, portanto, que as reformas educacionais estavam ligadas a um projeto maior de modernização e civilização do país. As elites políticas e intelectuais viam a escola como instrumento capaz de disciplinar a população, formar trabalhadores adaptados à sociedade capitalista e construir uma nova ordem social baseada na moral, no progresso e na ciência.

DOI: 10.56238/2ndCongressSevenMultidisciplinaryStudies-098

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Publicado

2026-05-13