Tratamento da tuberculose em pessoas privadas de liberdade e em situação de rua no Rio Grande do Sul: Análise epidemiológica

Autores

  • Gustavo Antônio Strapasson

Palavras-chave:

Tuberculose, Pessoas em Situação de Rua, Diagnóstico, Pessoas Privadas de Liberdade

Resumo

A tuberculose é uma doença infecciosa que apresenta grandes consequências em populações vulneráveis, como as pessoas privadas de liberdade e as em situação de rua. Tais grupos sofrem principalmente com a precariedade nas condições de vida e a dificuldade do tratamento, por isso o conhecimento sobre suas vulnerabilidades possibilita a prevenção de novos casos e direciona para um cuidado mais adequado. A presente análise foi realizada com base nos dados epidemiológicos disponíveis referentes ao ano de 2023, uma vez que, até o momento da elaboração deste estudo, não havia sido disponibilizada uma série de dados mais recente que permitisse uma avaliação atualizada da situação da tuberculose nessas populações. O objetivo é estratificar e analisar os desfechos do tratamento da tuberculose em pessoas privadas de liberdade e em situação de rua no estado do Rio Grande do Sul, utilizando dados epidemiológicos do ano de 2023. Trata-se de um estudo ecológico realizado a partir de dados disponíveis no DATASUS, que avaliou os casos de tuberculose nessas populações, estratificadas em “Pessoas privadas de liberdade e População em situação de rua” (coluna) segundo “Tratamento realizado” (linha), que resultaram em duas tabelas disponíveis no DATASUS. De acordo com tais dados, o total de casos de tuberculose no Rio Grande do Sul no ano de 2023 foi de 7.539 pessoas. Desse total, 965 (12,8%) foram diagnosticadas na população privada de liberdade, e cerca de 594 (7,87%) foram diagnosticadas na população em situação de rua. Abordando a população privada de liberdade, notamos que das 965 pessoas, 198 (20,5%) são de casos sem nenhuma informação/inconclusivos, 486 (50,3%) pessoas receberam o tratamento completo e 281 (29,1%) não foram tratadas. Já quando abordamos a população em situação de rua percebemos que, de 594 pessoas, 89 (14,9%) são de casos sem informação/inconclusivos, 142 (23,9%) pessoas receberam o tratamento adequado e 363 (61,1%) não foram tratadas. A partir dos dados coletados é possível avaliar que 20,67% dos casos confirmados são exclusivamente dessas duas populações, o que demonstra que tanto a população privada de liberdade quanto a população em situação de rua vivem em um ciclo completo de vulnerabilidade. Por isso a necessidade de estratégias públicas que consigam abranger prevenção, diagnóstico precoce e suporte social para ambos os grupos.

DOI: 10.56238/sevenIVmulti2023-001

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Publicado

2023-11-29