“NOSSA UNIÃO É A NOSSA MAIOR FORÇA”: SABERES TRADICIONAIS, EMPREENDEDORISMO SOCIAL E ECOSSOCIOECONOMIA EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA DO SEMIÁRIDO PIAUIENSE

Autores

  • Ermínia Medeiros Macêdo Dantas
  • Luciano Silva Figueiredo
  • Jaine Maria Leal Rocha
  • Cristiana Costa da Rocha
  • Alcebíades Costa Filho
  • Maria da Vitória Barbosa Lima
  • Patrícia Ribeiro Vicente
  • Janaína Alvarenga Aragão

Palavras-chave:

Empreendedorismo Social, Quilombolas, Saberes Tradicionais, Ecossocioeconomia

Resumo

As comunidades quilombolas constituem grupos historicamente formados por descendentes de africanos escravizados, que desenvolveram modos próprios de organização social, cultural e econômica em territórios marcados pela resistência. Esses grupos mantêm vínculos profundos com a terra, com a ancestralidade e com sistemas de vida que integram trabalho coletivo, espiritualidade, transmissão oral de saberes e relações solidárias. Neste contexto, a presente investigação visa analisar as dinâmicas produtivas e as formas de empreendedorismo social desenvolvidas em comunidades quilombolas, com foco na valorização do patrimônio cultural, na promoção da autonomia econômica e na sustentabilidade dos territórios tradicionais. O empreendedorismo social é compreendido como estratégia de fortalecimento da autonomia quilombola, promovendo iniciativas econômicas que geram impacto social e se alinham aos fundamentos da ecossocioeconomia. A metodologia adotada é qualitativa, com base na observação participante e entrevista semiestruturada. O local da pesquisa é a comunidade Custaneira, situada no município de Paquetá, estado do Piauí, reconhecida oficialmente como território quilombola. Os resultados indicam que o empreendedorismo social quilombola não apenas impulsiona a geração de renda, mas também fortalece a identidade cultural, promove a gestão sustentável dos recursos naturais e consolida o protagonismo das comunidades na construção de alternativas ao modelo hegemônico de desenvolvimento, por meio de iniciativas como a agricultura comunitária, o artesanato, a culinária regional, o etnoturismo, a medicina tradicional, a farinhada e os eventos culturais e religiosos. Ao documentar e difundir essas práticas, essa pesquisa desempenha papel essencial na valorização dos territórios tradicionais e na formulação de políticas públicas inclusivas. Contribui, assim, para a construção de modelos de desenvolvimento mais justos, plurais e enraizados nas realidades socioculturais dos povos quilombolas, reafirmando o compromisso ético da academia com a justiça social e a diversidade epistêmica.

DOI: 10.56238/sevenVIIImulti2026-102

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Publicado

2026-01-22