A LIBRAS E OS DESAFIOS DE SUA INSERÇÃO NO CURRÍCULO REGULAR DA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA

Autores

  • Maria Bárbara da Costa Cardoso
  • Monique Gabrielle Sousa de Almeida

DOI:

https://doi.org/10.56238/

Palavras-chave:

Libras, Educação Básica, Inclusão Escolar, Educação Bilíngue, Políticas Educacionais

Resumo

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida legalmente como meio de comunicação e expressão da comunidade surda desde a Lei nº 10.436/2002, constituindo-se como direito linguístico e instrumento de cidadania. Este artigo apresenta uma análise crítica sobre os desafios e possibilidades de inserção da Libras no currículo da educação básica brasileira, articulando fundamentos históricos, legais, pedagógicos e culturais. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, que revisitou autores clássicos e contemporâneos da educação de surdos, além de legislações e diretrizes nacionais. Os resultados evidenciam que a ausência da Libras no currículo escolar compromete o acesso ao conhecimento, o desenvolvimento identitário e a inclusão social dos estudantes surdos, configurando-se como violação de direitos. Entre os principais desafios identificados estão a falta de regulamentação para o ensino fundamental e médio, a escassez de professores bilíngues, a carência de materiais didáticos acessíveis e a resistência institucional. O estudo também apresenta boas práticas, como a experiência de escolas bilíngues e programas de formação docente, que demonstram a viabilidade de uma educação bilíngue inclusiva. Conclui-se que a efetivação da Libras no currículo demanda políticas públicas específicas, formação continuada de professores, co-planejamento pedagógico e valorização da cultura surda, de modo a transformar o ambiente escolar em espaço de equidade linguística e justiça social.

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Publicado

2023-12-08

Como Citar

Cardoso, M. B. da C., & de Almeida, M. G. S. (2023). A LIBRAS E OS DESAFIOS DE SUA INSERÇÃO NO CURRÍCULO REGULAR DA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA. Revista Sistemática, 12(3), e8689. https://doi.org/10.56238/