TENDÊNCIAS DA DESNUTRIÇÃO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA REGIÃO SUL DO BRASIL (2019–2024)
DOI:
https://doi.org/10.56238/Palavras-chave:
Desnutrição Infantil, Internações Hospitalares, Perfil Epidemiológico, Crianças e Adolescentes, Região Sul do BrasilResumo
A desnutrição infantil e juvenil permanece como um importante problema de saúde pública, associada a repercussões no crescimento, desenvolvimento e mortalidade. Este estudo teve como objetivo analisar as internações por desnutrição em crianças e adolescentes na Região Sul do Brasil, no período de 2019 a 2024, descrevendo sua tendência temporal e perfil epidemiológico. Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, descritivo, baseado em dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Foram avaliadas as variáveis ano de internação, sexo, cor/raça, faixa etária e número de óbitos. No período analisado, registraram-se 4.274 internações por desnutrição. Observou-se redução em 2020, possivelmente associada à pandemia de COVID-19 e à diminuição do acesso aos serviços de saúde, seguida de tendência de aumento em 2021 e estabilização em patamares elevados entre 2022 e 2024. Houve discreta predominância do sexo masculino (51,6%). Em relação à cor/raça, a maioria dos casos ocorreu em indivíduos brancos (71,8%), seguidos por pardos e pretos, refletindo tanto a composição demográfica regional quanto desigualdades sociais associadas ao risco nutricional. A análise por faixa etária evidenciou maior concentração de internações em menores de um ano (64%), seguidos por crianças de 1 a 4 anos (16,4%), demonstrando maior vulnerabilidade na primeira infância. Foram registrados 39 óbitos no período, correspondendo a letalidade de aproximadamente 0,9%. Os achados indicam que a desnutrição permanece relevante na Região Sul, com impacto predominante nos primeiros anos de vida e associação a determinantes sociais de saúde. Destaca-se a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância nutricional, ampliação do acesso à atenção primária e implementação de políticas intersetoriais de segurança alimentar, visando à redução de hospitalizações evitáveis e à proteção da saúde infantil.
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