CARTA DE UMA JOVEM CIENTISTA: É PRÓPRIO DO HUMANO SAIR – CIÊNCIA, HUMANIDADES E O IMPASSE DO RETORNO
DOI:
https://doi.org/10.56238/sevened2026.019-037Palavras-chave:
Ciência, Humanidades, Reducionismo, Interdisciplinaridade, Formação CientíficaResumo
Este ensaio, apresentado em forma de carta, propõe uma reflexão crítica sobre os limites do reducionismo biológico na ciência contemporânea, tomando como ponto de partida a necessidade de rearticular diferentes formas de conhecimento. Partindo de uma trajetória formativa situada no campo das ciências da saúde, a autora interroga a predominância de uma lógica técnico-produtivista que tende a privilegiar respostas já estabilizadas, muitas vezes em detrimento da formulação de perguntas. Esse deslocamento não é trivial, pois contribui para o empobrecimento da reflexão científica e amplia a distância entre ciência e sociedade. É nesse contexto que o movimento em direção às humanidades aparece menos como ruptura e mais como tentativa de ampliação epistemológica e formativa, ainda que atravessada por resistências persistentes. Ao longo do texto, referências da filosofia, da literatura e da história da ciência são mobilizadas para tensionar a permanência de uma matriz mecanicista e dualista, historicamente associada ao pensamento moderno, e seus efeitos na fragmentação do conhecimento. Ao mesmo tempo, argumenta-se que muitas das iniciativas contemporâneas de humanização da ciência acabam se restringindo ao cumprimento de normativas, sem que isso implique uma transformação mais profunda das práticas científicas. Nesse cenário, a literatura é apresentada como um espaço privilegiado para o exercício da reflexão crítica, na medida em que possibilita o contato com dimensões da experiência humana que escapam à lógica estritamente técnica.
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