O MAL-ESTAR CAPTURADO NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
Palavras-chave:
Psicanálise, Sofrimento Psíquico, Consumo, Mal-Estar na Cultura, Fantasia, CapitalismoResumo
Desde Freud, o conceito de mal-estar na cultura designa a tensão estrutural entre desejo, laço social e renúncia pulsional. Na contemporaneidade, essa tensão é intensificada pela racionalidade neoliberal e pela lógica do capitalismo tardio, que reconfiguram tanto as formas de sofrimento quanto os modos de satisfação substitutiva. Embora a literatura reconheça amplamente a mercantilização do sofrimento psíquico, permanecem pouco exploradas as dinâmicas subjetivas implicadas em práticas contemporâneas de substituição afetiva, como os vínculos com bebês reborn e a parentalização de animais de estimação. Este estudo tem como objetivo analisar, à luz da psicanálise e da teoria crítica, de que modo tais práticas operam como soluções defensivas ao mal-estar, articulando fantasia, fetichismo e narcisismo à lógica do consumo. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza teórico-analítica, orientada pelo método hermenêutico-crítico, baseada em revisão crítica da literatura psicanalítica e filosófica, com ênfase em autores clássicos e contemporâneos como Freud, Winnicott, Adorno, Horkheimer, Benjamin, Rosa e Byung-Chul Han, em diálogo com produções internacionais recentes. Argumenta-se que as substituições afetivas analisadas funcionam como formações fetichistas e narcísicas que suspendem a alteridade, neutralizam a experiência da perda e oferecem um alívio ilusório ao sofrimento psíquico. Ao mesmo tempo, tais práticas são capturadas e amplificadas pelo mercado, que transforma impasses subjetivos em nichos de consumo. Conclui-se que essas configurações, longe de promoverem elaboração simbólica, tendem a congelar o sofrimento, reforçando circuitos repetitivos de satisfação e frustração. O estudo contribui para os campos da clínica, da educação e das ciências humanas ao evidenciar a necessidade de dispositivos simbólicos e coletivos que possibilitem a elaboração do luto e a reinstauração do laço com a alteridade.
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