EIXO INFLAMATÓRIO-IMUNE E DESENVOLVIMENTO DE TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS NA INFÂNCIA: EVIDÊNCIAS TRANSLACIONAIS E CLÍNICAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/sevened2026.001-042Palavras-chave:
Eixo Inflamatório-Imune, Transtornos Psiquiátricos na Infância, Evidências Translacionais e ClínicasResumo
Introdução: Evidências recentes sugerem que processos inflamatórios e imunológicos desempenham papel relevante no desenvolvimento de transtornos psiquiátricos desde fases precoces da vida, influenciando trajetórias de neurodesenvolvimento e saúde mental na infância e adolescência. A ativação imune pré-natal, bem como estados inflamatórios persistentes ao longo do crescimento, têm sido associados a diferentes desfechos psiquiátricos, incluindo transtornos do humor, psicose, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e transtornos do espectro autista. Objetivo: Sintetizar evidências clínicas e translacionais atuais sobre a relação entre o eixo inflamatório-imune e o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos na infância e adolescência. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica estruturada, baseada em artigos publicados entre 2020 e o presente, identificados em bases científicas reconhecidas. Foram incluídos estudos de revisão sistemática, meta-análises e coortes prospectivas que avaliaram populações pediátricas ou exposições pré-natais associadas a desfechos psiquiátricos ou de neurodesenvolvimento. A seleção dos estudos seguiu critérios de elegibilidade previamente definidos, e os dados foram analisados por síntese narrativa organizada por eixos temáticos. Resultados e discussão: Os estudos analisados demonstraram associação consistente entre inflamação precoce e maior risco de transtornos psiquiátricos. Exposições pré-natais, como febre e infecções maternas, estiveram relacionadas ao aumento do risco de transtornos do neurodesenvolvimento. Na infância e adolescência, níveis elevados de citocinas pró-inflamatórias, especialmente interleucina 6, foram associados a depressão, psicose e TDAH, enquanto trajetórias persistentes de inflamação de baixo grau aumentaram o risco de transtornos mentais na vida adulta. Crianças com doenças imunomediadas também apresentaram maior prevalência de comorbidades psiquiátricas, reforçando a interação entre inflamação crônica e saúde mental. Conclusão: O conjunto das evidências indica que o eixo inflamatório-imune atua como fator biológico transversal no desenvolvimento de transtornos psiquiátricos desde a infância, influenciando múltiplas trajetórias psicopatológicas. A compreensão desses mecanismos amplia perspectivas para prevenção, identificação precoce de risco e abordagens terapêuticas mais integradas em saúde mental infantil.
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