TERAPIA ANTIVIRAL E MANEJO DAS COMPLICAÇÕES NO TRATAMENTO DA ENCEFALITE HERPÉTICA
DOI:
https://doi.org/10.56238/isevmjv5n2-039Palavras-chave:
Encefalite Herpética, Terapia Antiviral, Aciclovir, Ferroptose, Encefalite Autoimune, ImunomodulaçãoResumo
O manejo da encefalite herpética (HSE) exige uma evolução para além da simples erradicação da carga viral. Embora o aciclovir intravenoso permaneça como o pilar inquestionável do tratamento, sua eficácia é intrinsecamente limitada pela janela temporal de administração, sendo ideal o início da terapia nas primeiras 24 a 48 horas, e pela incapacidade de conter danos biológicos independentes da replicação viral. A persistência de sequelas em até 70% dos sobreviventes evidencia que o controle virológico não garante a preservação neurológica. A patogênese envolve a ativação persistente da via inflamatória TNF/NF-kB e a identificação da ferroptose (morte celular iron-dependente por peroxidação lipídica) como um evento-chave, sugerindo novos alvos terapêuticos adjuvantes, como inibidores de ferroptose. Complicações de longo prazo, como a encefalite autoimune pós-herpética, manifestam-se em aproximadamente 25% a 27% dos pacientes e exigem intervenção rápida com imunoterapia agressiva. A descoberta de que cerca de 10% dos casos infantis de HSE esporádica têm origem em erros inatos da imunidade (defeitos na via do TLR3 e do interferon tipo I) reforça a necessidade de vigilância genômica para estratégias de medicina de precisão. Em síntese, o futuro do tratamento da encefalite herpética reside na implementação de protocolos multimodais que integrem diagnósticos genéticos e imunológicos ao controle virológico precoce, combinando antivirais com agentes neuroprotetores e imunomoduladores.
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