INTERVENÇÕES PSICOTERAPÊUTICAS E FARMACOLÓGICAS NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE
DOI:
https://doi.org/10.56238/isevmjv5n2-042Palavras-chave:
Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), Psicoterapia, Farmacoterapia, Terapia Dialética Comportamental, ComorbidadesResumo
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição psiquiátrica debilitante caracterizada por um padrão persistente de instabilidade nos relacionamentos interpessoais, na autoimagem e nos afetos, além de uma marcante impulsividade, impondo uma carga significativa aos sistemas de saúde devido às altas taxas de comportamentos autolesivos e tentativas de suicídio. O manejo clínico do TPB estabelece a psicoterapia como o padrão-ouro de tratamento, enquanto as intervenções farmacológicas permanecem como ferramentas estritamente adjuvantes, frequentemente utilizadas para manejar a alta taxa de comorbidades associadas. Este estudo configura-se como uma revisão bibliográfica narrativa, elaborada a partir da prospecção de dados nas bases PubMed e Cochrane Library, com o objetivo de compilar e analisar as evidências científicas atuais sobre as intervenções terapêuticas para o TPB. Os achados indicam que psicoterapias estruturadas, como a Terapia Dialética Comportamental (DBT) e o Tratamento Baseado na Mentalização (MBT), consolidam-se como intervenções de primeira escolha, demonstrando resultados robustos na redução da desregulação emocional e de comportamentos impulsivos. Em contrapartida, as evidências de eficácia da farmacoterapia isolada sobre os sintomas centrais do TPB são limitadas e de baixa certeza, com nenhuma medicação aprovada especificamente para o transtorno. O uso de fármacos, como anticonvulsivantes e antipsicóticos de segunda geração, é predominantemente off-label, focado em mitigar sintomas-alvo específicos (como raiva e instabilidade afetiva) ou no manejo de comorbidades. O prognóstico favorável depende da integração de abordagens baseadas em evidências, priorizando a recuperação funcional e a superação do estigma institucional e social.
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