ESTABILIDADE EM CIRURGIA ORTOGNÁTICA DE PACIENTES CLASSE III
DOI:
https://doi.org/10.56238/isevmjv5n1-010Palavras-chave:
Cirurgia Ortognática, Maloclusão de Classe III, Estabilidade Esquelética, Recidiva, Planejamento Tridimensional, Articulação TemporomandibularResumo
A maloclusão esquelética de Classe III representa uma deformidade dentofacial complexa, caracterizada por discrepâncias entre as bases ósseas maxilar e mandibular, com repercussões estéticas, funcionais e psicossociais relevantes. Em pacientes adultos, a cirurgia ortognática bimaxilar tem sido amplamente reconhecida como o tratamento padrão para a correção definitiva dessas alterações, no entanto, a estabilidade esquelética pós-operatória permanece como um dos principais desafios clínicos, uma vez que recidivas podem comprometer os resultados obtidos a médio e longo prazo. Este estudo teve como objetivo revisar a literatura recente acerca da estabilidade pós-operatória em pacientes Classe III submetidos à cirurgia ortognática, com ênfase nos fatores associados à adaptação óssea e condilar, ao planejamento tridimensional e às implicações clínicas para a manutenção dos resultados. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada em estudos publicados nos últimos anos (2022 a 2025), que abordam aspectos biomecânicos, articulares e tecnológicos relacionados à cirurgia ortognática. Os achados comprovam que a cirurgia bimaxilar promove melhorias significativas na estética facial, simetria esquelética, oclusão e qualidade de vida. O posicionamento e fixação da maxila apresenta maior previsibilidade em comparação a mandíbula devido a diversos fatores. Quanto à estabilidade pós-operatória, mostra-se multifatorial, sendo influenciada pela magnitude dos movimentos cirúrgicos, pela adaptação da articulação temporomandibular, pela resposta neuromuscular e pelo uso de planejamento virtual tridimensional. Embora a incidência de reabsorção condilar em pacientes Classe III seja inferior à observada em outras deformidades esqueléticas, essa condição permanece clinicamente relevante. Conclui-se que a cirurgia ortognática bimaxilar, quando corretamente indicada, planejada e executada, constitui uma abordagem eficaz e de grande estabilidade para o tratamento da Classe III esquelética, superando a camuflagem ortodôntica nos casos em que há discrepância óssea significativa.
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