PROTOCOLOS DE REABILITAÇÃO COM IMPLANTES ZIGOMÁTICOS: INDICAÇÕES PARA ATROFIA MAXILAR SEVERA E REABSORÇÃO ÓSSEA

Autores

  • Sebastião Diogo Fiochi Almeida Matozo
  • Roque Luis Mendes Neto
  • Igor Batista de Matos
  • Rafael Heino Santos
  • José Henrique Trombetta Drum
  • Giulia Dias Ribeiro
  • Welington Luiz Heringer Junior
  • Natasha Fernandes Heringer França
  • João Cavalcante da Silva

DOI:

https://doi.org/10.56238/isevmjv5n2-022

Palavras-chave:

Implantes Zigomáticos, Maxila Atrófica, Taxa de Sobrevivência, Reabilitação Oral, Enxerto Ósseo

Resumo

A reabilitação de pacientes com maxila severamente atrófica constitui um dos desafios centrais da implantodontia contemporânea. A perda do volume ósseo alveolar, acentuada pela pneumatização dos seios maxilares e pelo uso prolongado de próteses totais, limita ou inviabiliza a instalação de implantes convencionais, tornando necessárias estratégias cirúrgicas complementares. Nesse cenário, os implantes zigomáticos — originalmente introduzidos por Brånemark et al. no final da década de 1980 como alternativa a procedimentos extensivos de enxerto ósseo — consolidaram-se como opção terapêutica documentada para pacientes com atrofia maxilar avançada. O presente estudo consiste em uma análise comparativa de três publicações científicas recentes: uma revisão sistemática sobre taxas de sucesso (Solà Pérez et al., 2022), um relatório de consenso internacional elaborado pelo International Team for Implantology — ITI (Al-Nawas et al., 2023) e uma revisão sistemática sobre indicações clínicas (Polido et al., 2023). Os dados analisados contemplam acompanhamentos de até 11,8 anos e abrangem centenas de pacientes em múltiplos centros internacionais. As taxas de sobrevivência cumulativa variaram entre 96,1% e 98,5% conforme o período de acompanhamento, com taxas ligeiramente superiores para protocolos de carga imediata em relação à carga tardia (98,1% versus 95,0%). As indicações documentadas incluem atrofia óssea extrema, falha prévia de implantes ou enxertos, ressecção oncológica, trauma e defeitos congênitos. As complicações mais prevalentes foram sinusite maxilar (14,2%) e deiscências de tecidos moles (34,7%), enquanto falhas mecânicas protéticas corresponderam a 17,8% dos eventos adversos registrados. O conjunto das evidências revisadas sustenta que os implantes zigomáticos representam alternativa segura, previsível e de eficácia a longo prazo para a reabilitação de maxilas atróficas. Contudo, dados os riscos anatômicos envolvidos e a heterogeneidade nos critérios de sucesso adotados pela literatura, o procedimento deve ser reservado a centros com expertise cirúrgica e reabilitadora especializada.

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Publicado

2026-03-22

Edição

Seção

Articles

Como Citar

PROTOCOLOS DE REABILITAÇÃO COM IMPLANTES ZIGOMÁTICOS: INDICAÇÕES PARA ATROFIA MAXILAR SEVERA E REABSORÇÃO ÓSSEA. (2026). International Seven Journal of Multidisciplinary, 5(2), e9710. https://doi.org/10.56238/isevmjv5n2-022