DEMÊNCIA POR CORPOS DE LEWY: ABORDAGEM DIAGNÓSTICA
Palavras-chave:
Demência por Corpos de Lewy, Alfa-Sinucleína, Biomarcadores, Transtorno do Sono REM, Parkinsonismo, Diagnóstico DiferencialResumo
A demência por corpos de Lewy (DCL) constitui uma das principais causas de demência neurodegenerativa em idosos, caracterizando-se por um espectro clínico heterogêneo decorrente do acúmulo patológico de alfa-sinucleína em estruturas corticais e subcorticais. O diagnóstico dessa condição representa um desafio clínico relevante devido à sobreposição de manifestações com outras demências, especialmente a doença de Alzheimer e a demência associada à doença de Parkinson. Este capítulo tem como objetivo sintetizar as evidências científicas atuais acerca da abordagem diagnóstica da DCL, com ênfase nos critérios clínicos, biomarcadores e aspectos emergentes que contribuem para sua identificação precoce e precisa. A DCL apresenta um perfil cognitivo distinto, com comprometimento inicial das funções atencionais, executivas e visuoespaciais, preservação relativa da memória episódica nas fases iniciais e presença de flutuações cognitivas. Entre as características clínicas centrais destacam-se as alucinações visuais recorrentes, o parkinsonismo espontâneo e o distúrbio comportamental do sono REM, reconhecido como importante marcador prodrômico das sinucleinopatias. O uso de biomarcadores indicativos, como exames de neuroimagem funcional dopaminérgica, cintilografia miocárdica com ¹²³I-MIBG, polissonografia e ensaios de detecção de alfa-sinucleína, tem ampliado a acurácia diagnóstica. Além disso, manifestações autonômicas, alterações no processamento auditivo central e mecanismos imunológicos emergentes vêm sendo reconhecidos como componentes relevantes na compreensão da fisiopatologia da DCL. A correta diferenciação entre DCL e demência da doença de Parkinson, baseada na regra temporal de um ano, bem como o reconhecimento da frequente coexistência com a patologia da doença de Alzheimer, são fundamentais para o manejo clínico adequado. Dessa forma, uma abordagem diagnóstica integrada, fundamentada em critérios clínicos e biomarcadores, é essencial para reduzir o subdiagnóstico e otimizar o cuidado aos pacientes com DCL.
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