DIFERENÇA ENTRE O VO2 PICO AVALIADO AO TESTE DE ESFORÇO CARDIOPULMONAR PELO PROTOCOLO DE BRUCE E ESTIMADO AO TESTE ERGOMÉTRICO EM PACIENTES COM CARDIOMIOPATIA CHAGÁSICA

Autores

  • Davi Souza Oliveira
  • Rafael Oliveira Castro
  • Wallaci Damasceno Barroso
  • Guilherme Henrique Carvalho Estolano
  • Carlos Correia dos Santos Filho
  • Gustavo Reis Maciel
  • Gabriel Melo Fonseca
  • Fabrício Pinho Madureira

Palavras-chave:

Doença de Chagas, Cardiomiopatia Chagásica, Teste de Exercício

Resumo

A doença de Chagas permanece um importante problema de saúde pública na América Latina, mesmo após mais de um século de sua descoberta. Entre as formas clínicas, a CARDIOMIOPATIA chagásica é a mais comum e a mais grave, cursando com redução da capacidade funcional desde os estágios iniciais, o que reforça a necessidade de avaliação funcional regular. A mensuração do pico do consumo de oxigênio (VO2pico) pelo Teste de Esforço Cardiopulmonar (TECP) é o padrão-ouro, porém trata-se de um método oneroso e pouco acessível em regiões com escassez de recursos tecnológicos. Nesse contexto, o teste ergométrico surge como alternativa, embora o VO2pico seja apenas estimado, o que torna necessária a verificação da acurácia das fórmulas de predição nessa população. Assim, o objetivo do estudo foi comparar o VO2pico avaliado diretamente pelo TECP com o VO2pico estimado pelo teste ergométrico. Foram avaliados 31 pacientes com cardiomiopatia chagásica (48,3 ± 7,4 anos; NYHA I–III) submetidos ao TECP pelo protocolo de Bruce. O VO2pico estimado foi calculado pelas fórmulas VO2pico = (2,9 × tempo em minutos) + 8,33 e, para mulheres, VO2pico = (2,74 × tempo em minutos) + 8,03. A diferença entre os valores foi analisada por meio de testes paramétricos ou não paramétricos, conforme a distribuição dos dados; a correlação foi avaliada por testes de correlação apropriados, e a concordância foi avaliada pelo diagrama de Bland-Altman. O VO2pico avaliado diretamente foi de 25,8±8,4 mL·kg·min, enquanto o VO2pico estimado foi de 33,4±4,8 mL·kg·min, com diferença significativa (p<0,001). Observou-se superestimação de 29,4% e ausência de correlação entre as medidas (r=0,195; p=0,302). No diagrama de Bland-Altman, a maioria dos valores permaneceu dentro dos limites de concordância, porém, com média elevada da diferença (7,7 mL·kg·min). Conclui-se que, em pacientes com cardiopatia chagásica, a predição do VO2pico pelo teste ergométrico difere significativamente da medida direta, sem correlação entre os valores, o que indica a necessidade de novas equações em estudos futuros.

DOI: https://doi.org/10.56238/sevened2026.001-037

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Publicado

2026-02-09

Como Citar

Oliveira, D. S., Castro, R. O., Barroso, W. D., Estolano, G. H. C., dos Santos Filho, C. C., Maciel, G. R., Fonseca, G. M., & Madureira, F. P. (2026). DIFERENÇA ENTRE O VO2 PICO AVALIADO AO TESTE DE ESFORÇO CARDIOPULMONAR PELO PROTOCOLO DE BRUCE E ESTIMADO AO TESTE ERGOMÉTRICO EM PACIENTES COM CARDIOMIOPATIA CHAGÁSICA. Seven Editora, 568-583. https://sevenpubl.com.br/editora/article/view/9302