DIRETIVAS ANTECIPADAS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS ENTRE EQUIPES MULTIDISCIPLINARES DE SAÚDE NO BRASIL

Autores

  • Janaína Aparecida de Sales Floriano
  • Giuliano Citrini Stipkovic
  • Neide Aparecida Micelli Domingos
  • Maria Jaqueline Coelho Pinto
  • João Daniel de Souza Menezes
  • Cintia Canato Martins
  • Christian Guilherme Capobianco dos Santos
  • Emerson Roberto dos Santos
  • Loiane Letícia dos Santos
  • Júlio César André
  • Eudes Quintino de Oliveira Júnior
  • Maria Cristina de Oliveira Santos Miyazaki

DOI:

https://doi.org/10.56238/sevened2026.008-160

Palavras-chave:

Educação em Saúde, Profissionais de Saúde, Autonomia do Paciente, Diretivas Antecipadas de Vontade, Testamento Vital, Cuidados Paliativos

Resumo

Os avanços tecnológicos na medicina, ao prolongarem a vida, têm gerado complexos dilemas éticos relacionados à finitude, evidenciando a necessidade de garantir a autonomia do paciente no processo de morrer. Este capítulo, baseado em uma dissertação de mestrado, tem como objetivo analisar a perspectiva da equipe multidisciplinar de saúde sobre as Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV) e o Testamento Vital (TV) no Brasil. A pesquisa qualitativa utilizou entrevistas semiestruturadas com 21 profissionais (enfermeiros, médicos e psicólogos) de um hospital de ensino, cujos dados foram submetidos à análise de conteúdo (Bardin, Minayo). Os resultados revelaram quatro categorias temáticas: 1) A compreensão dos profissionais sobre a autonomia do paciente, que, embora conceitualmente clara, enfrenta dificuldades de aplicação prática devido à falta de informação dos pacientes e ao foco curativista da medicina; 2) A experiência dos profissionais com pacientes em fase terminal e o envolvimento familiar, marcada por conflitos entre os desejos do paciente e da família, sendo frequente a prevalência da vontade familiar e o encaminhamento tardio aos cuidados paliativos; 3) A percepção da inserção precária das DAV no Brasil, decorrente da ausência de orientações, do amplo desconhecimento, da falta de regulamentação legal robusta e da insegurança profissional; e 4) O conhecimento dos profissionais sobre o Testamento Vital, que se mostrou incipiente e confuso, limitando sua efetiva utilização na prática clínica. Conclui-se que a implementação das DAV e do Testamento Vital requer uma profunda transformação na formação e na educação permanente dos profissionais de saúde, bem como a promoção do diálogo aberto e a consolidação de um marco legal claro, visando garantir a dignidade e o respeito à autonomia do paciente no final da vida.

Publicado

2026-03-02

Como Citar

Floriano, J. A. de S., Stipkovic, G. C., Domingos, N. A. M., Pinto, M. J. C., Menezes, J. D. de S., Martins, C. C., dos Santos, C. G. C., dos Santos, E. R., dos Santos, L. L., André, J. C., de Oliveira Júnior, E. Q., & Miyazaki, M. C. de O. S. (2026). DIRETIVAS ANTECIPADAS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS ENTRE EQUIPES MULTIDISCIPLINARES DE SAÚDE NO BRASIL. Seven Editora, 2898-2924. https://doi.org/10.56238/sevened2026.008-160