DIRETIVAS ANTECIPADAS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS ENTRE EQUIPES MULTIDISCIPLINARES DE SAÚDE NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.56238/sevened2026.008-160Palavras-chave:
Educação em Saúde, Profissionais de Saúde, Autonomia do Paciente, Diretivas Antecipadas de Vontade, Testamento Vital, Cuidados PaliativosResumo
Os avanços tecnológicos na medicina, ao prolongarem a vida, têm gerado complexos dilemas éticos relacionados à finitude, evidenciando a necessidade de garantir a autonomia do paciente no processo de morrer. Este capítulo, baseado em uma dissertação de mestrado, tem como objetivo analisar a perspectiva da equipe multidisciplinar de saúde sobre as Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV) e o Testamento Vital (TV) no Brasil. A pesquisa qualitativa utilizou entrevistas semiestruturadas com 21 profissionais (enfermeiros, médicos e psicólogos) de um hospital de ensino, cujos dados foram submetidos à análise de conteúdo (Bardin, Minayo). Os resultados revelaram quatro categorias temáticas: 1) A compreensão dos profissionais sobre a autonomia do paciente, que, embora conceitualmente clara, enfrenta dificuldades de aplicação prática devido à falta de informação dos pacientes e ao foco curativista da medicina; 2) A experiência dos profissionais com pacientes em fase terminal e o envolvimento familiar, marcada por conflitos entre os desejos do paciente e da família, sendo frequente a prevalência da vontade familiar e o encaminhamento tardio aos cuidados paliativos; 3) A percepção da inserção precária das DAV no Brasil, decorrente da ausência de orientações, do amplo desconhecimento, da falta de regulamentação legal robusta e da insegurança profissional; e 4) O conhecimento dos profissionais sobre o Testamento Vital, que se mostrou incipiente e confuso, limitando sua efetiva utilização na prática clínica. Conclui-se que a implementação das DAV e do Testamento Vital requer uma profunda transformação na formação e na educação permanente dos profissionais de saúde, bem como a promoção do diálogo aberto e a consolidação de um marco legal claro, visando garantir a dignidade e o respeito à autonomia do paciente no final da vida.
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