MANEJO TERAPÊUTICO DA DIVERTICULITE AGUDA
DOI:
https://doi.org/10.56238/sevened2026.002-026Palavras-chave:
Diverticulite Aguda, Tomografia Computadorizada, Manejo Terapêutico, Antibióticos Seletivos, WSES, ACPResumo
A diverticulite aguda é a manifestação inflamatória da doença diverticular do cólon e uma das causas mais frequentes de abdome agudo, resultando da perfuração de um divertículo, com evolução potencial de inflamação localizada para peritonite difusa. É uma condição altamente prevalente nas sociedades ocidentais, onde cerca de 50% dos indivíduos acima de 50-60 anos possuem diverticulose, e destes, 10% a 25% podem desenvolver diverticulite ao longo da vida. Para o diagnóstico, a tomografia computadorizada (TC) com contraste intravenoso consolidou-se como o exame padrão-ouro, oferecendo alta sensibilidade (94%) e especificidade (99%), sendo crucial tanto para a confirmação diagnóstica quanto para a estratificação da gravidade e o planejamento terapêutico. O manejo da diverticulite aguda passou por uma significativa reformulação nas últimas duas décadas, impulsionada pelas diretrizes do American College of Physicians (ACP) e da World Society of Emergency Surgery (WSES). O ACP (2022) recomenda que pacientes imunocompetentes, com diverticulite não complicada e clinicamente estáveis, possam ser manejados ambulatorialmente. Esta diretriz propõe o uso seletivo de antibióticos, reservando-os para casos com sinais sistêmicos, imunossupressão ou fatores de risco, uma vez que a antibioticoterapia rotineira não demonstrou alterar desfechos como necessidade de cirurgia ou recorrência. A orientação do ACP baseia-se primariamente em critérios clínicos e risco sistêmico. Por outro lado, a WSES (2022) adota uma abordagem mais estratificada conforme os achados tomográficos, classificando a doença em formas não complicadas e complicadas. A WSES enfatiza a importância central da TC em todos os pacientes idosos com suspeita clínica, visto que a apresentação nessa população é frequentemente atípica (com dor típica, febre e leucocitose ausentes em uma parcela significativa). Além disso, destaca que a mortalidade hospitalar após cirurgia emergencial aumenta progressivamente com a idade, o que reforça a necessidade de individualização terapêutica baseada em comorbidades. Enquanto o ACP prioriza a racionalização terapêutica, a WSES estrutura a decisão a partir da classificação radiológica da gravidade, mas ambas as diretrizes convergem na individualização da conduta e no abandono da recomendação de cirurgia eletiva baseada apenas no número de episódios. Dessa forma, o manejo contemporâneo fundamenta-se em uma abordagem baseada em risco, suportada por imagem de alta acurácia e com atenção especial às particularidades populacionais, especialmente nos idosos.
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