MANEJO TERAPÊUTICO DA DIVERTICULITE AGUDA

Autores

  • Amanda Comin Nascimento
  • Gabriela Decker
  • Ana Paula Fernandes Kainaki
  • Gabriel Dias Freitas
  • Daniel Higor da Silva Barroz
  • Poliana Alba Leoncio
  • Ingrid Tiemi Silva
  • Stella Louise Almqvist
  • Claudia Aparecida Becker
  • Rodolfo Ricardo Toledo
  • Ana Beatriz Pires Moreira
  • João Pedro Santiago de Faria

DOI:

https://doi.org/10.56238/sevened2026.002-026

Palavras-chave:

Diverticulite Aguda, Tomografia Computadorizada, Manejo Terapêutico, Antibióticos Seletivos, WSES, ACP

Resumo

A diverticulite aguda é a manifestação inflamatória da doença diverticular do cólon e uma das causas mais frequentes de abdome agudo, resultando da perfuração de um divertículo, com evolução potencial de inflamação localizada para peritonite difusa. É uma condição altamente prevalente nas sociedades ocidentais, onde cerca de 50% dos indivíduos acima de 50-60 anos possuem diverticulose, e destes, 10% a 25% podem desenvolver diverticulite ao longo da vida. Para o diagnóstico, a tomografia computadorizada (TC) com contraste intravenoso consolidou-se como o exame padrão-ouro, oferecendo alta sensibilidade (94%) e especificidade (99%), sendo crucial tanto para a confirmação diagnóstica quanto para a estratificação da gravidade e o planejamento terapêutico. O manejo da diverticulite aguda passou por uma significativa reformulação nas últimas duas décadas, impulsionada pelas diretrizes do American College of Physicians (ACP) e da World Society of Emergency Surgery (WSES). O ACP (2022) recomenda que pacientes imunocompetentes, com diverticulite não complicada e clinicamente estáveis, possam ser manejados ambulatorialmente. Esta diretriz propõe o uso seletivo de antibióticos, reservando-os para casos com sinais sistêmicos, imunossupressão ou fatores de risco, uma vez que a antibioticoterapia rotineira não demonstrou alterar desfechos como necessidade de cirurgia ou recorrência. A orientação do ACP baseia-se primariamente em critérios clínicos e risco sistêmico. Por outro lado, a WSES (2022) adota uma abordagem mais estratificada conforme os achados tomográficos, classificando a doença em formas não complicadas e complicadas. A WSES enfatiza a importância central da TC em todos os pacientes idosos com suspeita clínica, visto que a apresentação nessa população é frequentemente atípica (com dor típica, febre e leucocitose ausentes em uma parcela significativa). Além disso, destaca que a mortalidade hospitalar após cirurgia emergencial aumenta progressivamente com a idade, o que reforça a necessidade de individualização terapêutica baseada em comorbidades. Enquanto o ACP prioriza a racionalização terapêutica, a WSES estrutura a decisão a partir da classificação radiológica da gravidade, mas ambas as diretrizes convergem na individualização da conduta e no abandono da recomendação de cirurgia eletiva baseada apenas no número de episódios. Dessa forma, o manejo contemporâneo fundamenta-se em uma abordagem baseada em risco, suportada por imagem de alta acurácia e com atenção especial às particularidades populacionais, especialmente nos idosos.

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Publicado

2026-03-11

Como Citar

Nascimento, A. C., Decker, G., Kainaki, A. P. F., Freitas, G. D., Barroz, D. H. da S., Leoncio, P. A., Silva, I. T., Almqvist, S. L., Becker, C. A., Toledo, R. R., Moreira, A. B. P., & de Faria, J. P. S. (2026). MANEJO TERAPÊUTICO DA DIVERTICULITE AGUDA. Seven Editora, 364-375. https://doi.org/10.56238/sevened2026.002-026