REMODELAMENTO CARDÍACO PATOLÓGICO EM ATLETAS DE ENDURANCE: UMA REVISÃO NARRATIVA
DOI:
https://doi.org/10.56238/sevened2026.009-064Palavras-chave:
Remodelamento Atrial, Atletas de Endurance, Fibrilação Atrial, Coração do Atleta, Cardiologia do EsporteResumo
O remodelamento atrial induzido pelo exercício em atletas de endurance tem emergido como um tema de crescente interesse na cardiologia do esporte, especialmente diante da possibilidade de que adaptações inicialmente fisiológicas possam evoluir para alterações estruturais e funcionais com potencial impacto clínico. O exercício prolongado e de alta intensidade impõe sobrecarga volumétrica crônica às câmaras atriais, favorecendo dilatação progressiva, aumento do estresse parietal e alterações na mecânica atrial. Nesse contexto, esta revisão narrativa teve como objetivo analisar criticamente as evidências disponíveis sobre o remodelamento atrial em atletas de endurance, com ênfase nos mecanismos envolvidos, nos determinantes da adaptação e nos limites entre fisiologia e potencial patologia. Os estudos analisados demonstram que atletas de endurance apresentam, de forma consistente, aumento dos volumes atriais, especialmente do átrio esquerdo, com relação dose-resposta entre carga acumulada de treinamento e magnitude da dilatação. Do ponto de vista funcional, a literatura mostra achados heterogêneos, com redução dos índices de strain atrial em alguns grupos de atletas, enquanto outros estudos descrevem preservação da função mecânica dentro de limites fisiológicos. Além disso, diferenças relacionadas ao sexo, ao nível de treinamento e ao tempo de exposição parecem modular a intensidade dessas adaptações. Observou-se ainda associação entre remodelamento atrial, biomarcadores inflamatórios e maior propensão ao desenvolvimento de fibrilação atrial em atletas veteranos, sugerindo que a adaptação atrial não deve ser interpretada de forma dicotômica. Conclui-se que o remodelamento atrial em atletas de endurance integra um contínuo adaptativo, cuja expressão final depende da interação entre carga de treinamento, susceptibilidade individual e tempo de exposição, exigindo interpretação criteriosa no contexto da cardiologia esportiva.
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