MANEJO DO DELIRIUM NO IDOSO
DOI:
https://doi.org/10.56238/sevened2026.016-001Palavras-chave:
Delirium, Idoso, Complicações Pós-Operatórias, Prevenção, Aprendizado de MáquinaResumo
O delirium pós-operatório (DPO) constitui uma das complicações mais frequentes e graves em pacientes idosos submetidos a procedimentos cirúrgicos, caracterizando-se por distúrbios agudos e flutuantes da atenção, consciência e cognição. Sua ocorrência associa-se a desfechos adversos significativos, incluindo aumento da morbimortalidade, prolongamento da internação hospitalar, declínio funcional e cognitivo, institucionalização e elevação dos custos em saúde. A fisiopatologia do DPO é complexa e multifatorial, envolvendo a interação entre vulnerabilidade cerebral subjacente (fatores predisponentes) e estressores agudos perioperatórios (fatores precipitantes). Entre os fatores predisponentes destacam-se a idade avançada, fragilidade, desnutrição, multimorbidade, comprometimento cognitivo prévio e depressão. Os fatores precipitantes incluem cirurgias de grande porte, resposta inflamatória sistêmica, hipotensão intraoperatória, dor mal controlada e uso de medicamentos como benzodiazepínicos. A prevenção do DPO fundamenta-se em intervenções multicomponentes não farmacológicas, como as propostas pelo Hospital Elder Life Program (HELP), que demonstram eficácia na redução da incidência do quadro. A Avaliação Geriátrica Abrangente (AGA) no período pré-operatório permite a otimização sistemática dos fatores de risco modificáveis. As evidências para profilaxia farmacológica são limitadas, destacando-se a dexmedetomidina como opção promissora em populações selecionadas, enquanto benzodiazepínicos devem ser evitados. Modelos de predição baseados em aprendizado de máquina têm demonstrado acurácia superior à regressão logística tradicional na identificação de pacientes de alto risco, incorporando biomarcadores como peptídeo natriurético cerebral (BNP), troponina T e proteína C-reativa. A relação entre delirium e demência é íntima e bidirecional, sendo o delirium frequentemente subdiagnosticado em pacientes com demência preexistente. A abordagem clínica deve priorizar a identificação e o manejo dos fatores desencadeantes em todo idoso confuso, independentemente da suspeita de demência subjacente.
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