A EDUCAÇÃO NA EUROPA NO SÉCULO XVIII E A SUA INFLUENCIA NA EDUCAÇÃO FEMININA NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.56238/sevened2026.011-021Palavras-chave:
Educação Feminina, Cidadania, Rousseau, Feminismo, IluminismoResumo
O capítulo analisa a introdução da educação, a partir do século XVIII, como um direito e uma necessidade social voltada à formação dos cidadãos, observando seu desenvolvimento na Europa — especialmente na Alemanha, Inglaterra e França — e o pensamento de autores como Rousseau, Mary Wollstonecraft e Olympe de Gouges. Inicialmente, destaca-se o papel da Reforma Protestante, sobretudo do luteranismo e do calvinismo, na ampliação da alfabetização feminina. A instrução das mulheres visava principalmente à leitura das Escrituras e ao fortalecimento da vida religiosa e familiar, ainda que mantivesse a ideia de inferioridade feminina e sua função doméstica. Com o Iluminismo, as Revoluções Francesa e Industrial e o avanço da laicização, a educação passou a ser entendida como instrumento de formação do cidadão moderno, vinculada ao Estado e fundamentada em princípios científicos. Consolidaram-se sistemas escolares públicos, formação docente e a noção de instrução universal. Rousseau ocupa posição central nesse debate, sobretudo com a obra Emílio. Embora considerado pai da pedagogia moderna, propôs modelos educacionais distintos: Emílio é preparado para a cidadania, a autonomia e a vida pública, enquanto Sofia é educada para a domesticidade, a submissão e o serviço ao marido, reforçando a separação entre os espaços masculino e feminino. Pensadoras feministas criticaram essa concepção, denunciando a exclusão das mulheres da cidadania e do contrato social. O texto conclui que, apesar do discurso iluminista de igualdade e liberdade, a educação também serviu para legitimar a desigualdade de gênero e sustentar a dominação patriarcal por séculos.
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